Produção de tilápia sobe 14,3% e impulsiona setor
A piscicultura brasileira cresceu 9,2% em 2024, alcançando 968,7 mil toneladas. O avanço foi impulsionado pela tilapicultura, que registrou alta de 14,3%, e pelo aumento das exportações, que dobraram em volume e atingiram US$ 59 milhões.
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A piscicultura brasileira segue em ritmo acelerado de crescimento. Em 2024, a produção atingiu 968.745 toneladas, um aumento de 9,21% em relação ao ano anterior. A tilápia se consolidou como principal espécie cultivada no país, representando 68,36% do total, com produção de 662.230 toneladas.
“Mesmo com oscilação dos preços, o setor conseguiu crescer e manter a piscicultura brasileira em expansão. O consumo interno segue forte, e a tilápia se tornou presença constante na alimentação da população do centro-sul do país”, afirma Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).
Apesar do crescimento geral, a produção de peixes nativos, como tambaqui e pacu, recuou 1,81%, totalizando 258.705 toneladas. A oferta reduziu principalmente na região Norte, embora os preços tenham se mantido em patamares elevados. Para Medeiros, a queda preocupa: “Os peixes nativos têm grande potencial de mercado, tanto interno quanto externo. É essencial criar condições para impulsionar a produção.”
Outro destaque foi o crescimento das exportações. O Brasil exportou 13.792 toneladas de peixes de cultivo em 2024, um aumento de 102% em relação ao ano anterior. Em valores, a receita cresceu 138%, alcançando US$ 59 milhões. A tilápia representou 94% das exportações, com os Estados Unidos absorvendo 89% dos embarques.
“A redução dos preços internos da tilápia e o aumento da demanda externa impulsionaram as exportações. O Brasil se tornou o segundo maior fornecedor de filé fresco de tilápia para os EUA, atrás apenas da Colômbia”, explica o presidente da Peixe BR.
Entre os estados, o Paraná manteve a liderança nacional, respondendo por 25% da produção total, com 250.315 toneladas. Santa Catarina subiu para a quarta posição no ranking nacional, ultrapassando Rondônia, maior produtor de peixes nativos. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul registraram os maiores crescimentos percentuais, com avanços de 18,18% e 18,77%, respectivamente.
No recorte regional, o Sul seguiu na liderança da piscicultura brasileira, com 333.815 toneladas produzidas, alta de 12,7%. O Sudeste cresceu 14,12% e superou o Nordeste, assumindo a segunda posição no ranking nacional. A região Norte foi a única a não crescer em 2024, mantendo a produção estagnada em 143.190 toneladas.
As perspectivas para 2025 são otimistas, com previsão de avanços na regulamentação da produção e ampliação do mercado consumidor. Para Francisco Medeiros, o grande desafio é garantir previsibilidade ao setor: “O crescimento sustentado exige uma cadeia organizada, desde a produção até o consumidor final. O potencial da piscicultura brasileira é enorme, mas depende de um ambiente favorável para avançarmos ainda mais.”
Cultivo de Tilápia em Rifaina (SP)
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