Perda de chumbinhos compromete safra e acende alerta para produtores de café
O impacto da seca e das altas temperaturas tem colocado em risco a produção cafeeira no Brasil, exigindo do setor um manejo mais eficiente e investimentos em irrigação para mitigar as perdas.
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Nos últimos anos, a cafeicultura brasileira tem enfrentado um cenário climático desafiador. A seca prolongada, associada a temperaturas elevadas e geadas pontuais, impactou a produção e reduziu a qualidade dos grãos. Segundo Marcelo Jordão, a sucessão de fenômenos climáticos adversos tem afetado o desenvolvimento do café desde 2020, comprometendo safras consecutivas.
“Em 2021, tivemos uma seca intensa, seguida de geada, afetando diretamente a safra de 2022. No final de 2024, a florada do café ocorreu sob estresse hídrico e altas temperaturas, reduzindo a fixação dos frutos”, explica Jordão. Esse fenômeno, conhecido como queda de chumbinhos, ocorre quando a planta não consegue sustentar os frutos em desenvolvimento, impactando diretamente a produtividade.
Diante desse cenário, o manejo nutricional adequado é essencial. “Uma planta bem nutrida tolera melhor condições extremas. O equilíbrio de nutrientes como cálcio, magnésio e potássio é fundamental para fortalecer o sistema radicular e aumentar a resiliência ao estresse hídrico”, destaca o pesquisador.
Outro fator decisivo para a sustentabilidade da produção é a irrigação. Atualmente, cerca de 20% das lavouras de café no Brasil são irrigadas, com tendência de expansão. “A irrigação garante a sobrevivência da planta em períodos críticos e ainda melhora a qualidade da produção. No entanto, a disponibilidade hídrica ainda é um desafio em algumas regiões”, afirma Jordão.
A mecanização e o consórcio de culturas também são alternativas para otimizar o cultivo. “Nas entrelinhas do café, muitos produtores têm investido no cultivo de milho, feijão e arroz, maximizando o uso da área e diversificando a renda”, explica.
Quanto às perspectivas climáticas, Jordão alerta que previsões de longo prazo apresentam alta margem de erro, mas reforça a importância de preparar-se para condições extremas. “O produtor precisa adotar estratégias de manejo baseadas nos desafios enfrentados nos últimos anos. A pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades resistentes à seca serão fundamentais para a sustentabilidade da cafeicultura”, conclui.
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