Bem-estar animal na pecuária: novo guia traz recomendações para o Brasil
O Grupo de Trabalho de Bem-Estar Animal da MBPS lançou um guia com diretrizes para melhorar as condições dos bovinos na pecuária brasileira. O documento propõe recomendações baseadas na ciência e na prática para promover bem-estar e produtividade no setor
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A pecuária brasileira dá mais um passo em direção à sustentabilidade com o lançamento do Guia de Recomendações sobre como Melhorar o Bem-Estar dos Bovinos no Brasil, produzido pelo Grupo de Trabalho de Bem-Estar Animal da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS), em parceria com a BE.Animal. O material oferece diretrizes práticas para produtores rurais e profissionais do setor que buscam aprimorar o manejo dos animais e garantir maior eficiência produtiva.
O conceito de bem-estar animal tem evoluído nas últimas décadas, partindo das Cinco Liberdades, propostas na década de 1960 pelo Comitê Brambell, até o modelo contemporâneo dos Cinco Domínios do Bem-Estar Animal, que considera fatores como nutrição, ambiente, saúde, interações comportamentais e estado mental do animal. Segundo o guia, garantir boas condições em cada um desses aspectos contribui para a redução do estresse, melhora do desempenho e aumento da longevidade do rebanho.
Entre as principais recomendações do documento, estão as boas práticas de manejo para bezerros recém-nascidos, que incluem o monitoramento do vigor do animal logo após o nascimento, ingestão adequada de colostro e prevenção contra infecções no umbigo. O uso de estruturas como mantas de contenção foi apontado como uma solução eficiente para otimizar o manejo e reduzir riscos de estresse.
Outro ponto destacado é o monitoramento contínuo do bem-estar animal nas fazendas. O guia propõe que os produtores estabeleçam indicadores claros para avaliar a qualidade do manejo, incluindo a interação humano-animal, os recursos ambientais disponíveis e a saúde dos animais. A cientista Temple Grandin, referência internacional na área, reforça a importância da medição contínua: "Só se gerencia aquilo que é medido".
No transporte de bovinos, outro aspecto abordado, o guia enfatiza a necessidade de reduzir o estresse dos animais no embarque, na viagem e no desembarque. Boas práticas incluem espaço adequado para movimentação, pisos antiderrapantes e condução calma por parte dos manejadores. Essas medidas minimizam perdas e melhoram a qualidade da carne.
A identificação dos animais também é tema do documento. Embora a marca a fogo seja uma prática tradicional no Brasil, o guia incentiva a adoção de brincos eletrônicos, que permitem rastreamento mais eficiente e evitam lesões nos animais. Estudos citados no material apontam que a substituição desse método pode reduzir erros de leitura de identificação em até 18%.
A desmama dos bezerros é outro momento crítico para o bem-estar animal. O guia recomenda a técnica da desmama lado a lado, em que os bezerros permanecem próximos das mães por um período antes da separação definitiva. Estudos apontam que esse método reduz o estresse e melhora o ganho de peso em até 40% nas primeiras semanas após a desmama.
A iniciativa da MBPS visa não apenas melhorar o bem-estar dos animais, mas também atender às demandas do mercado nacional e internacional. Grandes redes varejistas e frigoríficos têm ampliado as exigências por boas práticas de manejo, e a adoção de protocolos modernos pode agregar valor à carne brasileira.
O documento é um convite para que produtores, profissionais do setor e a sociedade como um todo reflitam sobre a importância de um manejo mais humanizado e eficiente na pecuária nacional. As recomendações apresentadas visam não apenas melhorias produtivas, mas também avanços na sustentabilidade da atividade pecuária no Brasil.
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